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Livro “Sabores do Toiro Bravo” apresentado no encerramento da Feira do Livro

O livro "Sabores do Toiro Bravo", editado pelo Município, foi lançado no correr da sessão de encerramento da Feira do Livro de Coruche, no passado dia 5 de outubro de 2021. Concebida e coordenada por Amílcar Malhó, a obra reúne receitas de carnes de raça brava e fixa saberes, centrando-se no potencial social, cultural, económico e turístico da região de Coruche. O convite à participação de entidades e analistas de gastronomia, bem como de chefs renomados regional e nacionalmente, serve o propósito de criar valor e referências para o setor. Além do cuidado tido na preservação da cultura tradicional, o livro assume ainda o objetivo de reconhecer os criadores de raça brava, os talhantes e os restaurantes de Coruche que souberam acarinhar o certame "Sabores do Toiro Bravo" desde a sua primeira edição, assim como todos aqueles que servem “Bravo do Ribatejo” durante o ano.

Amílcar Malhó, coordenador editorial do livro "Sabores do Toiro Bravo" e jornalista gastronómico, assumiu o compromisso de dar a conhecer o produto da carne de toiro bravo, que, como refere Mário Sandoval, conceituado chef espanhol com duas Estrelas Michelin, é «um grande luxo desconhecido». Constatando a escassez de informação a respeito da carne de toiro bravo e das suas características diferenciadoras, Amílcar Malhó verifica, por outro lado, uma crescente e evidente apetência - acentuada desde o início deste novo século - por produtos alimentares que comprovadamente apresentem maior relação com a natureza e, no caso da carne, sejam provenientes de animais criados em condições não agressivas.

Como confrade fundador da Confraria Gastronómica do Toiro Bravo, Malhó identifica desde logo «um número muito significativo de apreciadores dos sabores do toiro bravo, a que poderemos chamar ‘Gastroaficionados’». Assim, mesmo pensando nos gastrónomos apreciadores de carnes bovinas autóctones portuguesas, Amílcar Malhó considera que o principal objetivo da obra incide na conquista de novos consumidores, crendo que «muitos tornar-se-ão apreciadores ‘militantes’». No capítulo dedicado ao “Toiro Bravo na Cozinha” atente-se à diversidade e à riqueza das propostas dos três chefs e das duas escolas convidadas, bem como dos restaurantes do Concelho que apresentam propostas tradicionais ou com um toque de modernidade.

Para concretizar o livro, Amílcar Malhó solicitou colaborações várias, nomeadamente através de esclarecedoras conversas, mas também pela reprodução de textos, certo de que o resultado final contribui para o conhecimento do animal, do produto e, sobretudo, da sua confeção culinária. Nesse sentido, o desafio assume-se como um contributo para o património dos apreciadores dos paladares únicos das carnes de raça brava, reconhecendo, no aproveitamento das diversas peças, a existência de um vasto acervo de entradas e pratos principais provenientes do receituário popular, a que se juntam criações de chefs da moderna cozinha de autor, conhecedores das propriedades ricas da carne, com ementas tão apetecíveis à vista como ao palato. De acordo com Célia Barroso, Vereadora da Cultura e do Turismo do Município de Coruche, «o livro evidencia uma restauração com características familiares, reconhecendo um estilo de cozinha, mas também a personalidade das gentes que fazem e das gentes que saboreiam», porque o que vem no prato «não precisa de intérprete», mas «de compreensão, de contexto e memória» - a mesma memória que conserva o sabor, o cheiro, a apresentação e, desejavelmente, o lugar.

Sublinhe-se que o título “Sabores do Toiro Bravo” deriva do premiado certame gastronómico com o mesmo nome, promovido pelo Município de Coruche em parceria com a restauração local. O evento, que decorre por volta do primeiro fim de semana do mês de maio, é, aliás, o pináculo dos eventos do Concelho, marcando o início da atividade tauromáquica, fixando uma carta gastronómica de excelência e assumindo-se como evento carismático do Ribatejo, que comemora e agrega na Praça de Toiros de Coruche os sabores e os saberes em torno da carne de toiro bravo.

De facto, o toiro bravo afirma-se hoje como evidente elemento do património gastronómico de Coruche, seja no contexto local ou regional, e reforça a ligação entre a cultura tradicional e as linhas mestras para o desenvolvimento estratégico e turístico da região. O património gastronómico é um bem comum a manter que permite salvaguardar saberes e, não haja dúvida, a gastronomia de Coruche está fortemente ligada à especificidade do território, à lezíria e à charneca ribatejana – mais uma vez, ao toiro bravo. Em suma, o livro “Sabores do Toiro Bravo” estabelece-se como um passo adiante para a mais do que justificada conjugação de esforços no sentido de dar a conhecer o produto culinário e o potencial gastronómico da carne brava.