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Património Histórico


FREGUESIA DE CORUCHE

Com uma área de 245,1 km2 e cerca de 9000 habitantes, a freguesia de Coruche conta com alguns belos monumentos


Igreja de S. Pedro

IGREJA DE S. PEDRO

Sabe-se que o padroado desta igreja, da invocação do primeiro bispo de Roma, foi doado ao Mestre da ordem de Avis, por D. Afonso III.

Tem nave única e as paredes laterais revestidas de azulejos azuis e amarelos tipo «padrão» do século XVII, assim como a empena e o intradorso do arco do cruzeiro. A nave apresenta cobertura de madeira e numa das suas paredes está adossado um púlpito de finos balaústres renascentistas.

O altar-mor é de talha grosseira, tendo, ao centro, num nicho, a imagem do orago. O frontal do altar apresenta um painel de magníficos azulejos com a imagem de São Pedro rodeada de arbustos, flores e aves, assemelhando-se a tecido. O tecto da capela-mor, sob a forma de cúpula, está também graciosamente decorado.

 


Igreja da Misericórdia

IGREJA DE MISERICÓRDIA

Templo muito antigo, obteve o actual nome no século XVI, quando a Misericórdia de Coruche absorveu as diversas Confrarias existentes, com a respectiva igreja que lhes servia de sede e o hospital.

Após o terramoto de 1531 para ali se transferiu a Matriz e a Real Colegiada e por isso foi dotada de cadeiral lateral. Foi totalmente reformada no século XVII, reconstruída depois do terramoto de 1755 e restaurada em 1851, como indica a inscrição no portão de ferro que dá acesso ao adro, no qual o pavimento é lajeado de campas tumulares dos séculos XVII e XVIII, com inscrições ilegíveis. Na fachada pode ver-se uma coroa real.

Templo quinhentista, de uma só nave, com coro alto suportado por quatro colunas simples e no qual se encontra um órgão de tubos com a data de 1803. O altar-mor não tem arco do cruzeiro e ostenta ao centro a imagem da padroeira, Nossa Senhora da Conceição.

Conta-se que em 1910, após a implantação da República, um republicano ferrenho quis destruir a coroa real da fachada da igreja. Encostou uma enorme escada à frontaria e subiu, de martelo na mão, para o destruir. Vários populares que se tinham, entretanto, juntado, gritaram-lhe cá de baixo: “À primeira martelada arrancamos-te o suporte e acabamos contigo à pancada, se não morreres da queda.” Perante tal ameaça, desceu a tremer, temendo o momento em que pisasse o lajeado da igreja, e a coroa lá continua no seu lugar.

 


Igreja de Santo António

IGREJA DE SANTO ANTÓNIO

Templo antigo, mencionado nos mais remotos documentos medievais da vila, foi doado por D. Afonso III ao Mestre de Avis por documento de 5 de Novembro de 1286. O seu orago é o popular Santo António de Lisboa, mas esteve, primeiramente, sob a protecção do Arcanjo São Miguel.

Tem nave única, totalmente revestida de azulejos tipo «padrão» do século XVII em azul e amarelo, púlpito e arco do cruzeiro simples. Num dos altares laterais encontra-se o antigo orago. O altar-mor é simples, com o padroeiro ao centro e outras imagens a ladear. A capela-mor é de cobertura em abóbada, com vários quadros pintados a óleo.

 


Ermida de Nª Srª do Castelo

ERMIDA DE NOSSA SENHORA DO CASTELO

No monte sobranceiro à vila ergue-se esta ermida da invocação de Nossa Senhora do Castelo no local onde, outrora, se levantava um castelo que foi cenário de frequentes escaramuças entre muçulmanos e cristãos, aquando da Reconquista.

Do miradouro avista-se um deslumbrante panorama sobre a várzea, numa planície a perder de vista, onde os campos do Sorraia se desdobram em tons de verde e oiro até à linha do horizonte.

A ermida, segundo a tradição, foi fundada por D. Afonso Henriques, conservando-se nela um retrato deste rei. Sofreu, ao longo dos anos, várias restaurações, apresentando-se, hoje, airosa e atraente, com o seu pequeno templo e torre debruados a azul-ferrete, próprio da região.

Diz a lenda que, alguns anos após a reedificação do santuário dedicado a Nossa Senhora do Castelo, a povoação de Benavente, sentindo-se em perigo perante o avanço de alguma algara moura, enviou a Coruche uma comissão a pedir a imagem da Senhora do Castelo, pois acreditavam que assim seriam protegidos e defendidos.

Perante o perigo, os coruchenses acederam.

Passado o ataque, em que os inimigos foram desbaratados por completo, nada de devolver a imagem ao seu pequeno santuário. Os coruchenses reclamaram. Nada. O senado da Câmara enviou um representante ao senado de Benavente. Voltam sem ter conseguido o que pretendiam. Mas, ao regressar, quando já se aproximavam da linha divisória dos dois concelhos, algo se lhes depara: a imagem de Nossa Senhora do Castelo ali estava, mesmo sobre a linha divisória, mas voltada para Coruche. Era para ali que queria ir.

No adro, em frente da porta da entrada, virada para sul, na calçada, está escrito em letras de pedra negra: «Concluída em XXV (aqui
quase ilegível) de Julho de MDCCCLVI com os generosos donativos dos habitantes desta villa – Directores J.A.B. e F.M.C.O.»

A capela é muito comprida e pouco larga, de uma só nave, com púlpito em pedra e arco do cruzeiro em mármore rosa.

Ocupando uma parede, o altar-mor, todo de talha dourada, ladeado das figuras de São José e São Pedro, tem, acima do sacrário, a imagem de Nossa Senhora com o Menino, de pé, sobre um trono simples.

O tecto da capela, em abóbada, está ornamentado com várias pinturas religiosas, destacando-se a da capela-mor, representando a «Coroação de Nossa Senhora» rodeada de anjos flutuando. Pendente do tecto da nave pode ver-se um antigo lustre de cristal.

 


Pelourinho

PELOURINHO

Símbolo por excelência da autoridade municipal e do poder concelhio, o primitivo pelourinho quinhentista situava-se no largo fronteiro ao edifício dos Paços do Concelho.

Desmanchado por volta dos anos trinta do século XX, a coluna foi metida numa construção da época, enquanto o capitel continua, ainda hoje, conservado numa casa particular.

E foi precisamente a partir desses dois fragmentos que foi feita a reconstituição do actual pelourinho de Coruche e colocado, em 1941, a réplica que ainda hoje se pode admirar no largo onde se ergue junto aos Paços do Concelho.

O desenho para a base que faltava foi da autoria do Arquitecto Alberto Braga de Sousa.

De fuste levemente espiralado e graciosamente decorado, parte de uma base hexagonal e é encimado por um capitel de quatro faces que ostentam a esfera armilar, a coruja sobre o pinheiro, a cruz de Avis e o escudo real.


Ponte da Coroa

PONTE DA COROA

À saída da vila de Coruche, junto às pontes metálicas, encontra-se esta ponte construída com tijolo da região, em 1828, e cujo nome se deve ao facto de nela se empregarem, para a construção e reparação, as sisas reais.

Tem uma lápide, que ostenta o escudo, a coroa e o dístico latino empregue nas obras de utilidade pública. Encontra-se classificada como «Monumento de interesse público» (1983).

Permite, ainda hoje, a passagem sobre uma das zonas mais perigosas do rio: o Pego das Armas. Este nome, «Pego das Armas», advém de uma lenda que remonta aos tempos de D. Afonso Henriques: Quando o rei tomou Coruche, os mouros, em debandada, fugiram a caminho do rio. O monarca tomou-lhes o passo, cercou-os e convidou os que quisessem a permanecer nestas terras. Aceitaram, perante as garantias dadas. Como se fosse a assinatura de um pacto de paz, cristãos e mouros lançaram para o fundo do pego as armas.

 


Aqueduto do Monte da Barca

AQUEDUTO DO MONTE DA BARCA

Peça medieval com 1000 metros de comprimento e arcos com a envergadura máxima de 3,40m e uma altura que chega a atingir os 4 metros.

 

 

FREGUESIA DE COUÇO

A 25 km da vila de Coruche situa-se a maior freguesia em área, 350,2 km2. Tem, segundo os últimos censos, 3180 habitantes.


Antas do Peso

ANTAS DO PESO

A cerca de 45 km da vila de Coruche, no extremo  sul  do  concelho, encontram-se as Antas do Peso, datáveis, grosso modo, dos períodos Neolítico e Calcolítico.

 


Igreja de Santa Justa

IGREJA DE SANTA JUSTA

Esta igreja, de cariz marcadamente rural e a fazer lembrar as suas congéneres alentejanas, apresenta um baptistério simples de  cobertura  cupulada. Encontra-se implantada no local onde, em tempos muito recuados, terá existido algum templo pagão. Com efeito, ali se achou um cipo votivo, recolhido no museu lapidar do Seminário de Évora, com uma inscrição da época clássica.

Entretanto, sabe-se que em 1726 ali existia ainda, embora muito arruinada, uma pequena ermida, quase toda feita em terra, junto à actual igreja.

 

 

FREGUESIA DE SANTANA DO MATO

Na estrada que liga Coruche a Montemor-o-Novo, a 16 km da sede de concelho, está situada esta freguesia com uma área de 101,2 km2 e cerca de 1250 habitantes, de forte componente agrícola, onde predomina como actividade mais produtiva nos meses quentes do ano a extracção de cortiça.


Igreja de Santa Ana

IGREJA DE SANTA ANA

Esta igreja tem defronte um cruzeiro seiscentista. Templo de uma só nave, apresenta azulejos de vários tipos do século XVII, donde se destacam uns em azul e amarelo, representando meninos alados tocando tambor, trombeta e viola, caçadores, carrancas e vários animais. Destacam-se ainda duas pinturas sobre madeira, quinhentistas, figurando Santa Luzia e Santa Bárbara.

FREGUESIA DE VILA NOVA DA ERRA

A nordeste da vila de Coruche, a cerca de 6 km, situa-se esta freguesia com 62,1 km2 e 1129 habitantes. Aldeia tradicional de marcada arquitectura popular, Vila Nova da Erra situa-se entre a charneca e a planície do Sorraia. Teve foral em 1514 dado por D. Manuel.
Casas baixas onde predomina a pureza do branco; ruas tranquilas apresentam trechos de rara beleza, com harmoniosos contrastes de luz e cor. Encontram-se nesta freguesia, em bom estado de preservação, alguns exemplares da casa rural tradicional, distinguindo-se pela sua estrutura baixa, planta rectangular, construção à base de adobe, tufo ou tijolo de «burro», rebocada com taipa e caiada de branco, as portas e janelas guarnecidas de madeira.


Estação Arqueológica do
Cabeço do Pé d'Erra

ESTAÇÃO ARQUEOLÓGICA DO CABEÇO DO PÉ D'ERRA

Nesta estação foram encontrados vestígios que confirmam a fixação das populações desde o período Paleolítico. Foram encontrados, ainda, objectos que datam do período Calcolítico, cerca de 3000 anos antes de Cristo. Alguns desses objectos, segundo parecer especializado, situam-se entre 2800 e 1500 a.C. Presume-se que neste local existiu um aglomerado populacional da época e que os seus habitantes viviam da pastorícia e da agricultura. Esta Estação Arqueológica encontra-se de momento fechada ao público e os estudos estão suspensos.

 


Igreja de São Mateus

IGREJA DE SÃO MATEUS

Templo da extinta Santa Casa da Misericórdia da Vila Nova da Erra a Igreja de São Mateus, em estilo românico, apresenta um painel de azulejos tipo «mudejar» do século XVI e uma pia de água benta que, em vez de coluna, possui uma figura de pedra (século XIX) de quase total relevo, com os braços cruzados acima da cabeça, sendo eles que sustentam a taça, também de pedra (século XVI). O povo chama a esta figura a «Erra Velha». A fachada apresenta um portal rectangular sobrepujado por uma janela para iluminação do coro alto. Por cima da janela, num nicho, está uma Virgem (escultura de pedra, grosseira, do século XVI).

 

 


Torre do cemitério da Erra

TORRE DO CEMITÉRIO DE VILA NOVA DA ERRA

A antiga igreja, da invocação do evangelista São Mateus, terá sido destruída aquando do terramoto de 1755. Resta apenas a torre sineira, restaurada em 1766, e que agora se vê, isolada, no cemitério da povoação. Numa das faces da torre está aposto um escudo, com as armas reais, mantelado por um chapéu episcopal, que se crê ser do Bispo D. Lourenço de Alencastre.

 

 



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